Grandes campanhas foram destaque no 3º dia da Semana da Comunicação
O terceiro dia da Semana da Comunicação na Barros Melo foi marcado pelo tema Estética e criatividade. Daniel da Hora, professor universitário, designer e artista plástico pautou didaticamente a história da publicidade, suas fraquezas e forças no Brasil, algumas das características, as diversas plataformas e exemplos de grandes peças publicitárias, tanto impressas, quanto em outras mídias.
A publicidade não é exclusiva do homem contemporâneo. Ela começou a se desenvolver a partir da possibilidade de consumo que se apresentava para o homem urbano do século XlX, e apresentava, na época, uma linguagem mais romântica e apelo lúdico. Já após a II Guerra Mundial, tornou-se mais informacional, com fotografias e grandes massas de texto, a exemplo de publicidades de veículos, entre tantas outras.
O anúncio publicitário vem sofrendo mudanças constantes, há pouco tempo a linguagem era persuasiva e emocional, mas sempre focada numa peça. Na década de 1980, quando a publicidade brasileira começa a ganhar força, segundo Daniel “o Brasil se destaca por boas peças, algumas geniais, mas peças isoladas… não consegue plantar ações integradas que se destacam”.
A evolução que se vê hoje, ele afirma, é que a publicidade não se limita mais a peças isoladas, mas consegue integrar várias mídias e já se lança no campo da ação promocional, que envolve o consumidor, como promover uma festa para lançar determinado produto, gerando mídia espontânea através de comentários via sms e redes sociais, criando uma imagem positiva do evento e, portanto, da marca ou produto que patrocinou o evento.
Para Daniel da Hora, quando uma ideia é inovadora ela é capaz de trazer algo relevante para um nicho específico. “A ideia inovadora deve ser relevante para o público”, afirmou. O ponto para se construir uma ideia inovadora é ter sempre referências – culturais, históricas, esportivas, políticas etc. – que devem ser as mais variadas: da publicidade online ao cinema mudo, da música pop ao coco de raiz, da literatura clássica aos games e à história em quadrinhos. É este repertório abrangente que vai determinar um bom profissional de criação.
Criar sem fronteiras – Atualmente redator da agência Ampla, Amândio Cardoso falou durante a palestra realizada na Barros Melo a respeito da sua carreira, orientando os alunos para construção de uma trajetória profissional de sucesso. “Só tem uma maneira de chegar a algum lugar, trabalhar e não ter medo”, afirmou. Graduado em Publicidade e Propaganda pela UFPE, Amândio falou da sua experiência internacional, mais especificamente em Lisboa e Madrid, lugares em que atuou como redator. Para ele a dificuldade com a escrita portuguesa foi um dos principais obstáculos que enfrentou na carreira fora do país: “O português de Portugal é uma outra língua”. Retomando a deixa da fala de Daniel da Hora sobre a formação de repertório, Amândio frisou que tão importante quanto ter referências é construir vivências. Disse que um bom profissional deve viajar pelo mundo, trabalhar em outros lugares e conhecer outras culturas: “É importantíssimo ter uma vivência internacional em qualquer área da publicidade”.
Amândio também apresentou e comentou algumas peças publicitárias premiadas pelos mais importantes festivais internacionais, mostrando aos alunos o processo criativo aliado ao papel do redator, como numa de suas criações para uma campanha contra o fumo.
Para o publicitário, a criatividade classifica qualquer estudante da área, basta haver dedicação. Ele também recomendou aos alunos procurar estágio desde cedo e buscar trabalhar com os profissionais mais qualificados do mercado. “A gente tem de criar maneiras originais de se inserir no mercado, tudo depende de uma atitude criativa”, destacou.