Uniaeso apoia e participa de lançamento virtual de livro sobre pioneiros da crítica de cinema em Pernambuco


Cinema e Audiovisual
março. 31, 2020

Antologia da crítica pernambucana – discursos sobre cinema na imprensa (1924-1948) conta com prefácio do professor Luiz Joaquim

A maneira como a imprensa pernambucana escrevia sobre cinema,  na primeira metade do século passado,  é o mote da pesquisa que virou o livro Antologia da crítica pernambucana - Discursos sobre cinema na imprensa (1924-1948), editado pela Cepe, com incentivo do Funcultura e apoio do Centro Universitário Barros Melo – UNIAESO e Associação Brasileira dos Críticos de Cinema – Abraccine. A obra é organizada pelo jornalista e crítico, André Dib, e pela realizadora, Gabi Saegesser, e traz um panorama dos principais autores e ideias, permitindo um mergulho no imaginário e nas formas de pensar cinema em Pernambuco, no início de 1900. O livro está disponível para venda, exclusivamente, no site da editora.

Nesta quinta-feira, dia 02 de abril, os organizadores participam de debate online, mediado pelo crítico e professor do Centro Universitário AESO Barros Melo – UNIAESO e também vice-presidente da Abraccine, Luiz Joaquim, com os outros críticos Ivonete Pinto, presidente da Abraccine, e Paulo Henrique Silva, de Minas Gerais. A conversa acontece às 19h, pelo Google Meet,  e marca o lançamento do livro. Além do Antologia da crítica pernambucana, estará em pauta o tema “Crítica e Memória”. Uma vez concluído o debate, o link da gravação do bate-papo estará disponível no site da Abraccine (www.abraccine.org).

Como consta no prefácio, escrito por Luiz Joaquim, um dos principais méritos dessa antologia é “sua capacidade de agregar, num único volume, um universo de ideias antes dispersas, que, agora juntas num só corpo, somam um novo sentido e oferecem novas perspectivas sobre o inicial pensamento intelectual pernambucano a respeito do cinema”. Para chegar ao livro de 396 páginas, 155 textos, 32 autores de 16 periódicos, André e Gabi realizaram um processo de imersão em acervos físicos e digitais, bibliotecas, arquivos públicos e particulares.

 “Foram dois anos de pesquisa em acervos físicos e digitais, seis meses para a seleção e transcrição do material e mais seis meses para a organização. Outra etapa foi a produção do livro, que com a entrada da Cepe conferiu nova dimensão ao projeto”, dizem os organizadores. Segundo eles, a dificuldade de acesso aos periódicos da época devido à frágil situação dos acervos públicos brasileiros contribuiu para a demora na conclusão da pesquisa.  “Durante o nosso trabalho encontramos coleções em deterioração avançada, que precisam de restauro e digitalização urgentes. Em acervos microfilmados ou digitais faltam páginas ou edições inteiras”, revelam.

SOBRE A OBRA

O volume está dividido em quatro blocos temáticos: Ciclo do Recife; Cinefilia (com reflexões em torno da chegada do cinema sonoro e os primórdios do cineclubismo no estado); O filme Coelho Sai (primeiro longa-metragem sonoro produzido no Nordeste, em 1942, por Newton Paiva e Firmo Neto); e a passagem do diretor norte-americano Orson Welles pelo Recife. Um caderno iconográfico com 60 fotografias, anúncios e ilustrações completa a obra.

Em um primeiro momento, os textos são apenas informativos, mas depois seguem o perfil da reflexão “quase sempre laudatórias ou ufanistas”, como escrevem os autores. Somente ao final dos anos 1920 surge a crônica especializada, assinadas por nomes até hoje conhecidos, como Evaldo Coutinho e Nehemias Gueiros. Este último chegou a escrever que “Recife é a Hollywood brasileira” (Jornal do Commercio, 29/12/1929).  Quanto aos filmes, os primeiros recifenses a ganharem comentários são Aitaré da praia (Gentil Roiz, 1925) e A filha do advogado (Jota Soares, 1926). Não dá para esquecer cinematografistas - assim eram chamados os cineastas ou diretores - como Edson Chagas e Ary Severo, que também fizeram parte do importante e produtivo Ciclo do Recife. Sem falar das empresas cinematográficas como a Aurora Film, Meridional Filmes, Liberdade Film, Hiate Film, Spia Film, entre outras.

Interessante também os registros das primeiras sessões de cinema ocorridas no Recife, como a inauguração dos Cine Pathé e Cine Royal, em 1909. “A primeira crônica que encontramos foi publicada em janeiro de 1910, registro pioneiro sobre o hábito de ir ao cinema no Recife, logo depois da inauguração do Cine Pathé”, declaram André e Gabi. Naquela época, os filmes eram silenciosos. Quando passam à etapa sonora, graças às tecnologias do photophone, vitaphone e movietone, lá vêm as críticas aos problemas com a língua estrangeira, com as legendas, a sincronia.

No começo do século XX, percebe-se o pioneirismo de Pernambuco no fazer cinema e inicia-se a concorrência desleal entre a exibição de filmes nacionais e norte-americanos. Falta de investimento na produção local, colonialismo visto na representação errônea dos brasileiros pelos estrangeiros na telona, ou no americanismo sempre em cartaz receberam diversas críticas.

“O material organizado no livro também revela uma divisão bastante definida entre entusiastas do cinema de entretenimento norte-americano (defensores da então recente técnica do cinema sonoro) e amantes do cinema silencioso, mais interessados na elaboração narrativa do que nas inovações técnicas e nos gostos do público. Havia também os defensores e detratores do cinema nacional e local, além dos críticos de ocasião, que não costumavam escrever sobre cinema mas o faziam sempre alguma polêmica era acendida. Tudo isso não parece diferente do cenário atual, exceto o fato de que o espaço para a crítica na imprensa tradicional está cada vez comprometido. Outra diferença importante está na participação das mulheres. Na nossa pesquisa encontramos apenas um texto escrito por uma mulher, a poeta Heloísa Chagas, o que revela muito sobre as relações de poder, tanto na imprensa, como no cinema daquela época”, afirmam os autores. 

SERVIÇO
Lançamento do livro “Antologia da crítica pernambucana - Discursos sobre cinema na imprensa (1924-1948)” , com debate virtual.
Quando: quinta-feira, 02 de abril, às 19h.
Onde:  https://meet.google.com/fvx-jypg-hwv?authuser=1

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